Independentemente do que revelem os dados acerca do consumo de vinho em Portugal, temos vindo a notar uma certa “ especialização “ dos consumidores. Há um interesse crescente por vinhos de qualidade (talvez em detrimento da quantidade), pela descoberta de novas marcas, pela procura de informação acerca de produtores, castas, tipos de vinho, etc.
Este interesse não é alheio ao facto de o número de produtores de vinho em Portugal ter crescido exponencialmente e da qualidade média dos vinhos ter aumentado de forma significativa. A entrada de novos “players” no mercado, alguns deles com uma capacidade financeira apreciável, permitiu avultados investimentos, quer na vinha, quer em adegas com tecnologia ao nível do que melhor se faz em todo o mundo. Não é por isso de estranhar o notável aumento da qualidade média dos vinhos que se vendem hoje em Portugal.
Esta dinâmica do mercado puxou pela exigência dos consumidores para patamares acima do que era habitual ainda há meia dúzia de anos. No espaço de uma década, o que era um nicho de mercado de consumidores de vinhos de gama média e média/alta, alargou-se a um significativo número de consumidores de várias faixas etárias, diferentes extractos sociais e, felizmente, ás mulheres que crescentemente têm vindo a demonstrar grande interesse pelas coisas do vinho. Existe também mais e melhor informação acerca do mundo do vinho. Revistas especializadas, sites dedicados ao tema, livros de gente que se interessa pela matéria, cursos de vinhos, feiras e exposições, etc.
Como é habitual, os exageros também acompanham este fenómeno. Não raras vezes vemos alguém a girar o copo acima da cabeça como se estivesse num rodeo , ou lemos o que alguns auto intitulados críticos de vinho escrevem sobre o líquido, como se de algo transcendente se tratasse. «Notas de pedra lascada», «nariz de pederneira e pólvora» e outros “mimos” semânticos são frequentes e não contribuem para a proximar as pessoas do vinho. Descomplicar é preciso !
O bom vinho é aquele que nos sabe bem. Esta é a mãe de todas as verdades naquilo que ao assunto diz respeito e é a partir deste princípio que devemos potenciar o interesse pelo “ precioso néctar “ . É claro que não podemos ter uma visão redutora e simplista do vinho. É claro que é fundamental que o vinho seja servido a uma temperatura adequada, em copos adequados. Sabemos também que determinados vinhos acompanham melhor determinados alimentos, que há defeitos no vinho que é necessário conhecer, que os vinhos têm características diferentes, etc.
Há toda uma panóplia de conhecimentos básicos que todos os enófilos ( os que se interessam por vinho ) devem conhecer. Com o tempo, quem sabe, alguns levam o seu interesse mais longe e aprofundam os seus conhecimentos na matéria. É um processo gradual porque há todo um mundo para descobrir à volta do vinho e quanto mais se entra nesse mundo mais fascinante ele se revela. Mas a casa começa a construir-se pelos alicerces, não pelo telhado.
Em breve deixaremos aqui algumas notas simples para os apreciadores, sobretudo para os que estão a despertar para o fascinante mundo dos vinhos. Notas que, na nossa opinião, fazem sentido. Sem complicações !
Author: Alma Lusa,.