A resposta a esta pergunta parece fácil mas não é! A qualidade média dos vinhos em Portugal subiu, tal como já foi referido em opinião « postada » neste espaço. Foram feitos investimentos significativos em adegas modernas, foram plantadas vinhas recorrendo a métodos cientificos, como a análise dos solos por ex. e do ponto de vista higiénico-sanitário, registaram-se, sem dúvida, melhorias. Pode dizer-se que o vinho que chega hoje à nossa mesa é feito com uvas mais sãs, passa por recipientes melhor cuidados e conservados, é controlado microbiologicamente, é melhor armazenado.
Então porquê a dificuldade na resposta à pergunta colocada ?
Permitam que cite o Eng. Luis Pato - seguramente uma das maiores autoridades portuguesas na matéria - num artigo de opinião publicado numa revista do sector : ” (…) nos últimos anos o consumidor mudou a procura, primeiro para vinhos fáceis de climas quentes depois para os que apresentam um excesso de uso de aromas exteriores ao vinho dados pela madeira de carvalho, sobretudo o americano, seguindo-se o excesso de álcool (…) passou-se de vinhos mais velhos com aromas muito complexos (…) para vinhos tecnológicos onde a exuberância da fruta é o destaque, o que na minha mente aparece como vinhos “fast drink” ou seja, simples aromas de fermentação. “
Não podia estar mais de acordo com a opinião do ” mestre ” da casta baga.
É difícil beber hoje um mau vinho mas também se torna cada vez mais difícil encontrar um daqueles vinhos que nos provoca sensações exuberantes, que nos surpreende. Em primeiro lugar as regras do mercado ditam que seja cada vez raro encontrar vinhos de guarda. Depois, a moda dos vinhos de elevado teor alcoólico onde predominam a madeira e os açucares está a conduzir a uma igualização que, a seu tempo, correrá o risco de levar a uma saturação do consumidor.
Há uns tempos um produtor australiano dizia a um canal de televisão : ” Digam que vinho querem que nós produzimos ” . Esta é uma frase mortifera para os apreciadores de bons vinhos !
Recomendo ao estimado leitor que tente, pelo menos de vez em quando, experiências menos consensuais. Elas ainda são possíveis neste país com mais de 300 castas e com alguns produtores que continuam a correr riscos.
Saudações vínicas !